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Orientação

Contratar como PJ: quando o contrato vira emprego e o que a empresa paga

A contratação como pessoa jurídica virou rotina, e faz sentido em muitos casos. O problema aparece quando alguém encerra o contrato e, meses depois, chega uma ação pedindo que aquele período todo seja reconhecido como emprego.

O ponto que surpreende quem contrata é este: o contrato assinado e a nota fiscal emitida todo mês não decidem quase nada. O que decide é como as coisas funcionavam de verdade, e isso já está definido antes de qualquer discussão começar.

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As quatro coisas que decidem

Não é o contrato, não é a nota. São estes quatro elementos, e eles precisam aparecer juntos para que a relação seja de emprego.

Uma pessoa determinada O serviço é prestado por aquela pessoa, e não por uma empresa que poderia mandar outra em seu lugar.
Trabalho habitual Todo dia, toda semana, com regularidade. Serviço eventual é outra coisa e não caracteriza emprego.
Pagamento pelo trabalho Valor recebido em contrapartida ao serviço prestado, em qualquer formato.
Alguém manda no serviço O que mais pesa. Horário para cumprir, ordem a seguir, meta cobrada e uma pessoa a quem se reportar.
O teste rápido: se a única diferença entre o prestador e o funcionário sentado ao lado dele é o formato do pagamento, o risco existe, por melhor que esteja escrito o contrato.

A sua empresa está nessa situação? Um advogado do escritório pode analisar o caso.

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Por que o papel não resolve

Duas coisas em que as empresas depositam confiança e que sustentam menos do que parecem.

O contrato de prestação de serviço. O nome dado ao acordo não decide a natureza dele. Quando a rotina mostra horário, ordem e pessoa fixa, a discussão se resolve pela rotina. Ter um bom contrato vale, mas ele nunca é a defesa principal.

A nota fiscal mensal. Ela prova que houve pagamento e em que formato, e não como o trabalho era feito. Nota emitida sempre no mesmo dia, sempre no mesmo valor e sempre para o mesmo tomador costuma ser usada do outro lado, porque desenha exatamente a regularidade e o valor fixo que o emprego tem.

O que entra na conta quando é reconhecido

O cálculo é feito como se a pessoa estivesse registrada desde o primeiro dia.

  • Registro na carteira de todo o período
  • Férias com um terço e décimo terceiro de cada ano
  • FGTS do período inteiro, com a multa de quarenta por cento quando a saída não foi por justa causa
  • O que excedeu a jornada normal
  • Correção sobre tudo isso, mais a discussão do que deixou de ser recolhido à Previdência

O prazo também trabalha contra quem contratou: são dois anos depois do fim do contrato para a ação ser aberta, e dentro dela se discutem os cinco anos anteriores.

Como funciona quando você chama

Conte como funciona Não o que está no contrato: como é o dia a dia. Horário, ordens, se atende outros clientes.
O escritório mede a exposição Quais contratações se sustentam, quais não, e quanto custaria cada uma se fosse discutida.
A empresa recebe o ajuste O que mudar na rotina para que o formato pare de ser um risco, sem precisar desfazer tudo.

Perguntas frequentes

Contratar PJ é proibido?

Não é. Contratar uma empresa para prestar serviço é legítimo e acontece o tempo todo. O que não vale é usar esse formato para vestir uma relação que, na prática, é de emprego. A lei diz de forma direta que os atos praticados para desvirtuar ou fraudar a aplicação das regras trabalhistas não valem, e é essa porta que se abre quando a rotina não combina com o contrato.

O que faz um contrato de PJ virar emprego?

Quatro coisas juntas, e é preciso que apareçam todas. Que quem presta seja uma pessoa determinada, e não uma empresa que possa mandar qualquer um. Que o serviço seja habitual, e não eventual. Que exista pagamento pelo trabalho. E, o ponto que mais pesa, que alguém mande no serviço: horário para cumprir, ordem a seguir, meta cobrada e uma pessoa a quem se reportar. Faltando uma delas, a relação em regra não é de emprego.

Tenho contrato assinado dizendo que é prestação de serviço. Isso protege?

Protege pouco, e é o maior mal-entendido do assunto. O nome dado ao contrato não decide a natureza dele. Se a rotina mostrar horário, ordem e pessoa fixa, a discussão se resolve pela rotina, e não pelo papel. O contrato serve como um dos elementos, e vale ter um bom, mas ele nunca é a defesa principal.

Ele emitia nota todo mês. Isso não resolve?

Não resolve sozinho, pelo mesmo motivo. A nota prova que houve pagamento e em que formato, e não como o trabalho era feito. Aliás, nota emitida sempre no mesmo dia, sempre no mesmo valor e sempre para o mesmo tomador costuma ser usada do outro lado do argumento, porque desenha justamente a regularidade e o valor fixo que o emprego tem.

Quanto custa se for reconhecido?

A conta é feita como se a pessoa tivesse sido registrada desde o primeiro dia. Entram o registro na carteira, férias com um terço, décimo terceiro, FGTS de todo o período com a multa de quarenta por cento quando a saída não foi por justa causa, e o que exceder a jornada normal. Sobre isso incide correção, e existe ainda a discussão sobre o que deixou de ser recolhido à Previdência. É por isso que o custo de um reconhecimento raramente se parece com a economia que a contratação prometia.

Até quando ele pode cobrar?

São dois anos contados do fim do contrato para entrar na Justiça. Dentro do processo, discute-se o que aconteceu nos cinco anos anteriores à data em que ele foi aberto. Na prática isso significa que a empresa continua exposta por dois anos depois de a pessoa ir embora, e que o período discutido pode ser bem maior do que o tempo de contrato de quem ficou pouco.

E se foi o próprio prestador que pediu para ser PJ?

Isso ajuda, mas não encerra. O pedido dele entra na avaliação, principalmente quando se trata de profissional qualificado que negociou o formato em pé de igualdade e tinha outros clientes. Mas ninguém pode abrir mão por antecipação de direitos que decorrem da forma como o trabalho é prestado. Quando a rotina é de emprego, o fato de a pessoa ter preferido o formato resolve menos do que a empresa espera.

Como eu reduzo o risco sem deixar de contratar PJ?

Mexendo na rotina, e não no contrato. Prestador que atende outros clientes, que organiza o próprio horário, que pode se fazer substituir, que emite nota com valor variável conforme a entrega e que não participa da estrutura interna como se fosse do quadro é uma contratação que se sustenta. Quando a única diferença entre ele e o funcionário do lado é o formato do pagamento, o risco existe, por melhor que o contrato esteja escrito.

Atualizada em

Quem vai analisar o seu caso

Bueno & Steinmetz Advogados Associados

Atendimento presencial e online. A análise é feita caso a caso.

@bueno.steinmetz
Eduardo Bueno, advogado
Eduardo Bueno OAB/RS 139.085
Eduardo Steinmetz, advogado
Eduardo Steinmetz OAB/RS 137.209

A sua empresa contrata como PJ?

O risco está no dia a dia e não no contrato, e por isso ele só aparece quando alguém olha a rotina. Envie uma mensagem contando como funciona na prática, para que um advogado do escritório possa analisar.

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Onde conferir

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Bueno & Steinmetz Advogados Associados · OAB/RS
Conteúdo de caráter meramente informativo, sem captação de clientela e sem promessa de resultado, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento nº 205/2021 do CFOAB. Esta página não substitui a análise individualizada de cada caso.