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Orientação

Demissão por justa causa: o que fazer quando você discorda

Você foi chamado, ouviu que a saída seria por justa causa e saiu de lá sem quase nada. Talvez nem tenha entendido direito qual foi o motivo.

A justa causa é a punição mais pesada que existe na relação de trabalho, e justamente por isso a empresa precisa cumprir exigências que ela nem sempre cumpre. Discordar é possível, e o começo é entender onde essa demissão costuma cair.

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O que muda no seu bolso

Antes de discutir o motivo, é útil ver o tamanho da diferença. A justa causa é a forma de saída que menos paga, e é por isso que ela merece conferência mesmo quando a pessoa reconhece que errou em alguma coisa.

O que some com a justa causa: aviso prévio, décimo terceiro proporcional, férias proporcionais, a multa sobre o FGTS, o saque do fundo e o seguro-desemprego. O que continua devido: o salário dos dias que você trabalhou e as férias que já estavam vencidas.

Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.

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Onde a justa causa costuma cair

Existir um motivo não basta. A empresa precisa ter agido de um jeito específico, e é aí que a maior parte dessas demissões não se sustenta.

A empresa demorou para punir Soube do fato e conviveu com ele por semanas ou meses. A demora indica que nem ela achou aquilo tão grave.
Já houve punição pelo mesmo fato Se você já tinha levado advertência ou suspensão por aquilo, o episódio foi encerrado e não volta como justa causa.
A punição não cabe no tamanho da falta Um atraso, um erro isolado ou uma discussão pontual raramente justificam a punição mais grave que existe.
Falta o que comprove Quem precisa demonstrar o que aconteceu é a empresa. Convicção interna, sem nada que sustente, não basta.
Pularam as etapas Fora as faltas realmente graves, espera-se advertência antes de suspensão, e suspensão antes da saída.

O que fazer nos primeiros dias

  1. Peça por escrito o motivo da saída. Você tem direito de saber exatamente do que está sendo acusado, e a acusação por escrito prende a empresa àquela versão.
  2. Guarde cópia de tudo o que assinou. Documento de saída, advertências anteriores, suspensões, e-mails e mensagens do período.
  3. Não discuta o mérito por mensagem com a chefia. O que você escreve no calor do momento costuma aparecer depois, e raramente ajuda.
  4. Anote nomes e datas enquanto está fresco. Quem estava presente, quem soube do fato e quando cada coisa aconteceu.
  5. Confira se a empresa já tinha punido você por aquilo. É o ponto que mais derruba justa causa, e costuma estar documentado.

Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.

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Onde a chance é real e onde é mais difícil

Vale a franqueza: nem toda justa causa é injusta, e uma análise séria começa dizendo isso. O que decide não é a sua indignação, é o que a empresa consegue demonstrar e como ela agiu.

A chance costuma ser real quando a empresa demorou a punir, quando já havia advertência ou suspensão pelo mesmo fato, quando não existe nada que comprove a acusação, quando a punição é desproporcional ao ocorrido e quando você nunca tinha sido advertido antes.

Costuma ser mais difícil quando o fato é grave por si só, está documentado e houve advertências anteriores por condutas parecidas. Aí a discussão perde força, e é melhor saber disso antes.

Quando a justa causa não se sustenta, o efeito prático é a conversão da saída em demissão sem justo motivo, com o pagamento do que foi negado e a liberação do fundo e do seguro-desemprego. Conforme o caso, cabe ainda discutir uma indenização, principalmente quando a acusação foi divulgada dentro da empresa.

O que reunir antes de falar com um advogado

  • Documento de saída e o comunicado da demissão, se houver
  • Carteira de trabalho e contracheques dos últimos meses
  • Advertências e suspensões que você recebeu, mesmo as antigas
  • Mensagens e e-mails relacionados ao que motivou a saída
  • Nomes de colegas que presenciaram os fatos
  • Registro de ponto do período, se você tiver acesso

Como funciona quando você chama

Muita gente desiste antes de perguntar, achando que assinar os papéis encerrou o assunto. Não encerrou. São três passos, e nenhum deles obriga você a nada.

Conte como foi a saída Pelo WhatsApp, com as suas palavras. Não precisa ter nada organizado nem saber nome de lei.
Um advogado confere o caso O escritório verifica o motivo alegado, o histórico de punições e o tempo que a empresa levou para agir.
A resposta vem clara Se a justa causa se sustenta ou não, o que dá para reverter e quanto isso representa. Se não houver caso, você também vai saber.

Perguntas frequentes

Fui demitido por justa causa. O que eu deixo de receber?

É a saída que menos paga. Você perde o aviso prévio, o décimo terceiro proporcional, as férias proporcionais e a multa sobre o FGTS, não pode sacar o fundo e não tem direito ao seguro-desemprego. Continuam devidos o salário dos dias trabalhados e as férias que já estavam vencidas. Essa diferença enorme é o motivo pelo qual vale conferir se a justa causa se sustenta.

A empresa precisa provar o motivo?

Precisa, e isso costuma surpreender. Quem afirma que houve falta grave é a empresa, e é ela quem tem de demonstrar o que aconteceu. Você não precisa provar que não fez. Muitas justas causas caem exatamente aí: a empresa tinha convicção interna do que ocorreu, mas não tinha como demonstrar.

Já tinha recebido advertência pelo mesmo fato. Isso muda alguma coisa?

Muda bastante. Não se pune duas vezes o mesmo fato. Se a empresa já aplicou advertência ou suspensão por aquilo, aquele episódio foi encerrado e não pode voltar depois como fundamento da justa causa. É um dos erros mais comuns e um dos mais fáceis de demonstrar, porque costuma estar tudo por escrito.

A empresa demorou meses para me punir. Isso importa?

Importa muito. A punição precisa vir logo depois do fato ou da descoberta dele. Quando a empresa sabia e conviveu com a situação por semanas ou meses, entende-se que ela própria não considerou aquilo tão grave, e a justa causa perde força. Demora sem explicação é um dos pontos que mais derrubam esse tipo de demissão.

Assinei os papéis da demissão. Ainda dá para discutir?

Dá. Assinar o documento de saída não significa concordar com o motivo, e não impede questionar depois. Assinar é, na prática, reconhecer que você recebeu aqueles valores, e não que a acusação era verdadeira. Se puder, guarde cópia de tudo o que assinou.

Quanto tempo eu tenho para questionar?

O prazo é de dois anos contados da saída, e dentro dele só é possível cobrar o que se refere aos últimos cinco anos de trabalho. Mesmo assim, procurar cedo ajuda muito: documento se perde, colega muda de emprego e memória de detalhe se apaga.

Atualizada em

Quem vai analisar o seu caso

Bueno & Steinmetz Advogados Associados

Atendimento presencial e online. A análise é feita caso a caso.

@bueno.steinmetz
Eduardo Bueno, advogado
Eduardo Bueno OAB/RS 139.085
Eduardo Steinmetz, advogado
Eduardo Steinmetz OAB/RS 137.209

Discorda do motivo que colocaram na sua saída?

A justa causa se sustenta ou não conforme o que a empresa consegue provar e como ela agiu. Envie uma mensagem contando o que aconteceu: um advogado do escritório vai analisar o seu caso.

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Onde conferir

Esta página explica em linguagem direta. Se você quiser ir à origem, é por aqui.

Bueno & Steinmetz Advogados Associados · OAB/RS
Conteúdo de caráter meramente informativo, sem captação de clientela e sem promessa de resultado, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento nº 205/2021 do CFOAB. Esta página não substitui a análise individualizada de cada caso.