Orientação
Cobrança de dívida antiga: o que muda depois de cinco anos e por que "dívida caducada" engana
Chega uma mensagem cobrando algo de sete anos atrás. Uma conta que você nem lembra direito, de uma empresa que talvez nem exista mais.
Aí vem a dúvida que todo mundo tem: dívida caduca? A resposta curta é que essa palavra engana, e a diferença entre o que o tempo apaga e o que ele não apaga decide o que fazer com essa cobrança.
Falar no WhatsAppO que o tempo apaga, e o que ele não apaga
Quase toda confusão nesse assunto vem de misturar três coisas diferentes, que têm prazos e efeitos próprios.
Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.
Falar com advogadoO erro que devolve o prazo ao credor
Esta é a parte que mais custa dinheiro, e ela acontece por boa-fé.
Pagar uma parcela, assinar um acordo ou reconhecer a dívida por escrito pode reiniciar a contagem do prazo. Na prática, devolve ao credor a possibilidade de cobrar pela Justiça algo que ele já não podia exigir.
Repare no desenho: aparece uma proposta muito boa, de valor muito abaixo do devido, numa dívida antiga. Uma parcela pequena paga de boa-fé às vezes vale mais para quem cobra do que o valor em si.
Não significa que todo acordo seja armadilha, nem que nunca valha a pena pagar. Significa que a ordem certa é descobrir a idade da dívida primeiro, e negociar depois.
Como descobrir a idade da dívida
O que conta é o vencimento original, não a data da mensagem que chegou agora. Cobrança antiga costuma ser reapresentada com data nova, e isso confunde.
- O contrato ou a última fatura, se você ainda tiver
- O extrato do banco no período, mostrando o último pagamento feito
- A consulta aos órgãos de proteção ao crédito, que mostra a data de cada anotação
- O Registrato do Banco Central, que lista os contratos bancários em seu nome com as datas
- A própria cobrança, que às vezes traz o número do contrato original
As duas consultas são gratuitas ao titular e resolvem a dúvida em pouco tempo.
Quando a cobrança passa do ponto
Cobrar é permitido. Cobrar de qualquer jeito, não. O limite é ultrapassado quando a cobrança:
- Ameaça, constrange ou ridiculariza você
- Avisa vizinho, parente, colega ou o seu trabalho sobre a dívida
- Liga em horário impróprio, ou liga de forma insistente a ponto de perturbar
- Afirma que existe processo ou ordem judicial que não existe
- Cobra valor que já foi pago
Nesses casos a conversa deixa de ser sobre a dívida e passa a ser sobre a conduta de quem cobra. Guarde print, grave a ligação quando possível, anote data, horário e o nome de quem falou.
Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.
Falar com advogadoSe chegar uma citação da Justiça
Aqui o tempo vira contra você, e rápido.
O prazo para responder é curto e começa a correr na hora. Se a dívida for antiga demais para ser exigida, isso precisa ser dito dentro do processo, porque nem sempre o juiz reconhece por conta própria.
Ignorar a citação é a pior escolha possível, e é a mais comum. Quem não responde costuma ser condenado sem que ninguém tenha examinado se a cobrança ainda podia ser feita.
O que fazer nos primeiros dias
- Não pague nada e não assine nada ainda. Nem parcela pequena, nem acordo, nem reconhecimento por escrito.
- Descubra o vencimento original. Pelo contrato, pela última fatura ou pela data da anotação.
- Consulte o seu nome. Nos órgãos de proteção ao crédito e no Registrato do Banco Central. É gratuito.
- Guarde as mensagens de cobrança. Com data, horário e o nome de quem cobrou. Se a cobrança foi abusiva, isso vira o centro da discussão.
- Se veio citação, conte os dias. O prazo é curto e não espera ninguém organizar a papelada.
Como funciona quando você chama
Muita gente adia por não saber o que vem depois. São três passos, e nenhum deles obriga você a nada.
Perguntas frequentes
Dívida caduca depois de cinco anos?
Não é bem isso, e a palavra engana. A dívida não desaparece. O que acontece é que, passado o prazo, o credor perde a possibilidade de usar a Justiça para forçar o pagamento. Ela continua existindo, e você pode até pagar se quiser. O que ele não pode mais é cobrar de você por meio de uma ação.
Então eles podem continuar me ligando?
Podem cobrar, sim. Ligar, mandar mensagem e oferecer acordo continua permitido mesmo depois do prazo. O que não é permitido é cobrança que humilha, ameaça, expõe você a terceiros, liga em horário impróprio ou avisa vizinho e parente. Isso é abuso, e tem consequência própria.
Mas eles podem deixar meu nome sujo por isso?
Não. A anotação nos órgãos de proteção ao crédito tem prazo máximo de cinco anos, contados do vencimento da dívida. Passado isso ela precisa sair sozinha, tenha sido paga ou não. Nome anotado por dívida mais antiga que cinco anos é anotação indevida, e essa é uma discussão diferente e mais direta.
Ofereceram um acordo bom. Vale aceitar?
Antes de aceitar, é preciso saber a idade exata da dívida. Se o prazo já passou, você está negociando algo que ninguém poderia exigir de você na Justiça. Muitos acordos de valor muito baixo aparecem justamente em dívidas antigas, e não por generosidade.
Se eu pagar uma parcela, o que acontece?
É o erro mais caro dessa conversa. Pagar uma parcela, assinar acordo ou reconhecer a dívida por escrito pode reiniciar a contagem do prazo, devolvendo ao credor a possibilidade de cobrar pela Justiça. Uma parcela pequena paga de boa-fé às vezes vale mais para o credor do que o valor em si.
Como descubro a idade da dívida?
Pelo vencimento original, e não pela data da cobrança que chegou agora. Serve o contrato, a última fatura, o extrato do banco, ou a data que consta nos órgãos de proteção ao crédito. Vale também consultar o Registrato do Banco Central, que mostra os contratos bancários em seu nome com as datas.
O prazo é sempre de cinco anos?
Cinco anos é o prazo mais comum em cobrança de consumo, mas não é o único. Cheque, nota promissória e alguns outros documentos seguem prazos próprios, mais curtos. Por isso a resposta depende do tipo de dívida, e não só do tempo que passou.
Recebi uma citação da Justiça por uma dívida velha. E agora?
Aí o tempo passa a correr contra você, e depressa. O prazo para responder é curto e começa na hora. Se a dívida for antiga demais, isso precisa ser dito no processo, porque o juiz nem sempre reconhece sozinho. Ignorar a citação é a pior escolha possível, e é a mais comum.
Como o escritório atua neste assunto
Frente do escritório Direito Bancário Para quem tem problema com banco, financeira ou crédito. Ver como atuamos →Atualizada em
Quem vai analisar o seu caso
Bueno & Steinmetz Advogados Associados
Atendimento presencial e online. A análise é feita caso a caso.
@bueno.steinmetzEstão cobrando algo de anos atrás?
O caminho muda conforme a idade da dívida, o tipo de contrato e o que já foi feito depois. Envie uma mensagem contando o que aconteceu para que um advogado do escritório possa analisar.
Falar no WhatsAppOnde conferir
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