Orientação
Intimação para depor na polícia: o que fazer antes de ir
Chegou um papel da delegacia chamando você para depor. Pode ter vindo pelo correio, entregue por um policial na sua porta, ou até por telefone.
O impulso natural é ir sozinho e explicar tudo, achando que assim resolve mais rápido. Quase sempre é o contrário, e a razão é simples: o que você disser ali é escrito, assinado e acompanha o caso até o fim.
Falar no WhatsAppA pergunta que muda tudo
Antes de qualquer outra coisa, é preciso saber em que posição você foi chamado. Ser testemunha e ser investigado são situações opostas, com deveres opostos, e o mesmo comportamento que protege uma pessoa pode prejudicar a outra.
Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.
Falar com advogadoO que fazer ao receber
- Guarde o documento inteiro e o envelope. Fotografe tudo. A data de entrega e o que está escrito ali são o ponto de partida de qualquer orientação.
- Não responda nada por telefone. É comum ligarem antes para adiantar perguntas. Você pode dizer que vai comparecer na data e que fará isso acompanhado.
- Anote o que consta no papel. Número do procedimento, delegacia, data, horário e o nome de quem assinou. Esses dados permitem verificar em que posição você foi chamado.
- Procure um advogado antes da data, não depois. Depois do depoimento assinado, o trabalho passa a ser consertar. Antes, é evitar.
- Se a data for impossível, justifique por escrito. Pedir outro dia com antecedência é diferente de simplesmente não aparecer.
Onde as pessoas se complicam sozinhas
Vale a franqueza: a maior parte dos problemas que vemos nessa fase não nasce de má intenção. Nasce de gente honesta tentando resolver rápido.
O que mais acontece é falar além do que foi perguntado, tentar explicar o contexto inteiro da própria vida, entregar mensagens e documentos que ninguém pediu, dar nome de outras pessoas sem necessidade e assinar sem ler o que foi escrito. Nada disso acelera nada, e tudo isso passa a existir dentro do caso.
Também é comum aceitar responder a uma conversa informal antes do depoimento oficial, achando que aquilo não conta. Conta, e costuma reaparecer depois.
Colaborar é legítimo e muitas vezes é o melhor caminho. O que muda o resultado é colaborar sabendo em que posição você está, e com alguém do seu lado que entenda o que está sendo perguntado e por quê.
Passou por isso? Um advogado do escritório pode analisar o seu caso.
Falar com advogadoO que reunir antes de falar com um advogado
- A intimação completa, com frente e verso, e o envelope se houver
- Qualquer boletim de ocorrência ou documento do caso que você já tenha
- Registro de contatos já feitos: ligações, mensagens, nomes e datas
- Documentos que se relacionem ao que você imagina ser o assunto
- Um relato seu por escrito, feito com calma, do que você sabe sobre o caso
Como funciona quando você chama
Muita gente adia por achar que procurar advogado nessa hora é assumir alguma coisa. Não é, e o efeito costuma ser o contrário. São três passos, e nenhum deles obriga você a nada.
Perguntas frequentes
E se eu não comparecer?
Depende de você ser testemunha ou investigado, e a diferença é grande. Testemunha intimada que falta sem motivo justificado pode ser buscada pela polícia ou por oficial de justiça, com auxílio de força se necessário, e ainda responde por multa, pelas custas da diligência e por desobediência. Já quem é investigado não pode ser levado à força para ser interrogado: isso foi declarado incompatível com a Constituição, porque ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. O que não funciona em nenhum dos dois casos é ignorar o papel em silêncio. Quem não pode ir na data avisa e justifica antes.
Quanto tempo dura o inquérito?
Dez dias quando o investigado está preso, e trinta quando está solto. O prazo de quem está solto pode ser prorrogado sempre que o caso for difícil de esclarecer, e na prática isso acontece bastante, então inquérito que se arrasta por meses não é anormal. O prazo curto é o de quem está preso, e é ele que explica a pressa quando alguém da família foi detido.
Chegou uma intimação da delegacia. Sou obrigado a comparecer?
Ignorar não é uma boa ideia em nenhuma hipótese: a ausência sem justificativa costuma piorar a sua situação e pode levar a ser buscado para comparecer. O caminho seguro é responder à intimação, e não desaparecer. Se a data for impossível, dá para justificar e pedir outra, de preferência por escrito e antes do dia marcado.
Como sei se estou sendo investigado ou se sou só testemunha?
Essa é a pergunta mais importante, e a resposta muda completamente o que você deve fazer. Às vezes o próprio documento diz em que qualidade você está sendo chamado. Quando não diz, um advogado consegue verificar isso antes do depoimento, olhando o procedimento. Ir sem saber é o erro mais comum.
Posso ficar calado no depoimento?
Quem é investigado tem o direito de não responder e de não produzir prova contra si mesmo, e usar esse direito não pode ser interpretado como confissão. Já quem é testemunha tem o dever de comparecer e de falar a verdade. Por isso a pergunta anterior vem primeiro: o mesmo silêncio que é um direito para um pode ser um problema para o outro.
Preciso mesmo de advogado se eu não fiz nada?
Precisa, e justamente por isso. Quem não fez nada costuma falar demais, tentar explicar contexto, entregar documento que ninguém pediu e responder pergunta que não foi feita. Nada disso ajuda, e tudo isso fica registrado. O advogado não impede você de colaborar: ele garante que a colaboração aconteça do jeito certo.
A polícia pediu meu celular e a senha. Sou obrigado a entregar?
Entregar aparelho, senha ou qualquer acesso é uma decisão séria e que não deve ser tomada na hora, no balcão. Existem situações em que o acesso é determinado formalmente e outras em que se pede a sua concordância, e as duas são bem diferentes. Diga que quer falar com um advogado antes de decidir. Pedir isso é legítimo e não é sinal de que você tem algo a esconder.
Posso levar advogado mesmo sendo só testemunha?
Pode. O acompanhamento por advogado não depende da posição em que você foi chamado, e não transforma testemunha em suspeito. Serve para que você saiba o que está assinando e para que o depoimento registre com precisão o que você realmente disse.
Para ir a fundo neste assunto
Direito PenalProcesso penal brasileiro O texto técnico sobre como funciona um processo criminal do começo ao fim: o que o Estado pode fazer, quais limites existem, e em que ordem cada etapa acontece. Ler o artigo →Como o escritório atua neste assunto
Frente do escritório Defesa Criminal Para quem foi intimado, indiciado ou preso. Ver como atuamos →Atualizada em
Quem vai analisar o seu caso
Bueno & Steinmetz Advogados Associados
Atendimento presencial e online. A análise é feita caso a caso.
@bueno.steinmetzFoi chamado a depor e não sabe em que posição está?
Essa é a pergunta que muda tudo, e ela costuma ser respondida antes do depoimento. Envie uma mensagem com o que você recebeu: um advogado do escritório vai analisar e orientar você antes da data.
Falar no WhatsAppOnde conferir
Esta página explica em linguagem direta. Se você quiser ir à origem, é por aqui.
- Processo penal brasileiro, o artigo técnico do escritório sobre o tema, com norma e julgado citados
Conteúdo de caráter meramente informativo, sem captação de clientela e sem promessa de resultado, em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento nº 205/2021 do CFOAB. Esta página não substitui a análise individualizada de cada caso.